O que é Tare?
(Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo)
Antes de tudo, precisamos ter em mente que o paciente com TARE não é uma pessoa “chata pra comer”, não é “frescura”. A pessoa com TARE não deixa de comer porque tem a intenção de chamar a atenção daqueles à sua volta. Infelizmente, por falta de conhecimento, muitas pessoas fazem críticas inapropriadas àqueles com TARE. Inúmeras vezes ouvi comentários sobre minha filha como: “Se fosse lá em casa comeria”, “coloca o chinelo na mesa e só deixa levantar quando terminar, quero ver se assim não come”, “ela só é assim porque você deixa…”. Sem contar as várias vezes que ouvi de médicos: “Deixa sem comer, quando tiver fome, ela vai pedir” ou ainda “isso é frescura”.


Apesar do TARE afetar tipicamente crianças e adolescentes, esse transtorno também se manifesta em adultos. Quanto antes a intervenção, melhor o prognóstico.
O indivíduo com TARE apresenta falta de interesse pelo alimento, muitas vezes por medo, aversão, pavor e até mesmo nojo da comida. Pode ocorrer falta de apetite. O TARE não está relacionado a preocupações com a forma ou o peso corporal, tal qual ocorre em outros transtornos alimentares, como a Anorexia Nervosa ou a Bulimia. Normalmente a pessoa só consegue comer as comidas de segurança, que são alimentos que trazem sensação de conforto e proteção. O que cada um considera seguro é variável, mas o que há de comum é que a lista de alimentos é extremamente restrita, normalmente composta por alimentos industrializados e ultra palatáveis. Muitos apresentam deficiências nutricionais e baixo peso, mas hoje, esses já não são mais critérios obrigatórios para o diagnóstico.
Existem três subtipos de Tare:
O tipo Evitativo inicia desde a primeira infância e está relacionado com questões sensoriais.
A pessoa com esse subtipo de TARE pensa que novos alimentos têm gosto estranho ou muito intenso e se importa com as texturas, cheiros ou aparência dos alimentos. Ela sente-se segura comendo alimentos que já tem familiaridade.
O tipo Aversivo pode acontecer em qualquer período da vida e está relacionado com experiências assustadoras que a pessoa/paciente teve com alimentos, como: vomitar, engasgar ou até mesmo uma reação alérgica a algum alimento, o que o leva a evitar ou até mesmo parar de se alimentar completamente por conta desse evento.
O tipo Restritivo também tem início na primeira infância. Os indivíduos com esse subtipo não sentem fome, é aquela criança que os pais têm que lembrar de comer, pensa que comer é uma tarefa, sente-se satisfeito rapidamente com uma quantidade mínima de comida.
Quem tem TARE acaba sofrendo com questões sociais pela dificuldade de se alimentar em eventos entre amigos e familiares que envolvem comida. Além dos danos físicos, quem tem TARE sofre com prejuízos emocionais, como isolamento social, ansiedade, vergonha, baixa autoestima e estão mais propensos a ter outras comorbidades, gerando enorme estresse para si e seus familiares.
O envolvimento da família é fundamental no tratamento do paciente. A orientação parental pode auxiliar sobre lidar com as tensões e discussões que acabam surgindo quando há uma pessoa com essa condição na casa.
O tratamento do TARE envolve uma abordagem multidisciplinar, com a participação de PSICÓLOGO, NUTRICIONISTA, TERAPEUTA OCUPACIONAL, FONOAUDIOLOGO e MÉDICO. O objetivo do tratamento é expandir gradualmente a variedade alimentar, melhorar a relação com os alimentos e garantir uma nutrição adequada. A terapia cognitivo comportamental (TCC) e a terapia nutricional são frequentemente utilizadas como parte do plano de tratamento.

